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Entre casais |
| O que acontece e ninguém diz | ||
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| Aline Steffani
Lugares impróprios, como shows, praças, ruas, elevadores, corredores, escadas, escritórios e até a sala do chefe; situações inusitadas, quase que impossíveis de se realizar; fazer sexo com um desconhecido, ou então, de um jeito que você normalmente não teria coragem, como por exemplo, uma noite, de sadomasoquismo, ménage à trois e swing.São inúmeras as fantasias sexuais e algumas são guardadas como um grande segredo que apenas o casal e os mais íntimos conhecem. Esse é o caso do swing, a realização da troca de casais durante a relação sexual. Para quem segue a prática, esse é um estilo que necessita de muita cumplicidade e parceria e apesar de ser liberal, o ato exige regras para que tudo seja agradável e prazeroso.Swingers, como são chamados os casais, que praticam sexo grupal, são geralmente discretos e não relatam as experiências sexuais. Essa dificuldade em encontrar alguém disposto a assumir essa preferência, possivelmente está ligada a falta de compreensão da sociedade em relação a essa opção.Os encontros entre os casais ocorrem geralmente em festas organizadas ou em casas de swing, espalhadas em todo o país. A organização e as regras costumam fazer parte dessas ocasiões. Em muitas casas especializadas nessas situações, é preciso se cadastrar, passar por entrevista e comprovar a estabilidade da união. Em Campo Grande, capital Sul-Mato-Grossense, existe um estabelecimento próprio para encontros de casais, onde eles podem colocar em prática as fantasias mais secretas, mas tudo é claro, de acordo com as normas, como explica o diretor de uma casa de encontro para casais. “A gente realiza um cadastro, faz uma entrevista para explicar o que pode e o que não pode. Tem casal que está em fase final de casamento e orientamos para não irem ao clube por que isso pode piorar a situação deles ou causar algum problema. Tem que saber se eles estão preparados e se possuem estrutura emocional para freqüentar a casa”. O estabelecimento foi fundado em 1º de abril de 2004. Hoje, seis anos depois, conta com mil e seiscentos casais cadastrados. E em média a casa recebe 65 companheiros por fim de semana. Em dias de atração, como festa temática, chegam a 90 casais apenas no sábado. Além de controlar a quantidade de freqüentadores, o cadastro é uma forma de garantir a segurança dos casais. “Exigimos que eles apresentem uma documentação de identificação no clube para comprovar que são um casal verdadeiro. A maior preocupação dos clientes é encontrar algum companheiro montado, forjado. Quando identificamos esses casos, conversamos e cancelamos o cadastro”, afirma. Segundo ele, os próprios freqüentadores apontam os que tentam burlar as normas. “O pessoal mesmo denuncia as armações. Por incrível que pareça os casais são avessos a traição. Os que entendem essa filosofia não têm nenhum motivo para trair e o swing aumenta a cumplicidade entre os dois”, diz. De acordo com o diretor do estabelecimento, o swing reflete de maneira positiva no relacionamento. ”Dá uma apimentada. O clube é para casal que está há muito tempo junto e quer dar uma turbinada na relação. Têm muitas esposas que depois que começam a freqüentar passam a cuidar mais da beleza, principalmente as que fazem strip tease. Têm várias que já são avós e fazem os shows de Strip”, conta. Muitos, não freqüentam o clube para realizar a troca de parceiro e sim para sair da rotina da relação. “A mulher seduz o marido, a maioria nem faz troca de casal, vem mais para curtir o ambiente. 40% fazem a troca de casal, o restante, vem só para fazer show e nem interage com outros casais”, revela. O diretor conta que essa também é uma maneira de descobrir mais sobre seu companheiro. “Tem casal que conseguiu descobrir muita coisa que nem imaginava que o outro gostava. Tem um caso em que a esposa era muito acanhada quando começou a freqüentar a casa e agora toda vez que ela vem, faz um show de strip. Mas, quem não conhece e não sabe como funciona, julga mal”, lamenta. Problemas como, brigas por ciúmes ou outros desentendimentos não são comuns nesses ambientes destinados a momentos mais liberais, mas ainda assim, pode ocorrer um caso ou outro. “Alguns casais às vezes vêem e não sabem exatamente o que o outro gosta ou não. Só temos problemas quando tem alguma coisa mal resolvida entre os parceiros. Mas normalmente, tudo ocorre bem”, afirma. Para o diretor, ainda há muito tabu relacionado a essa questão e o que causa os pré-julgamentos é o desconhecimento sobre o assunto. “Quem não conhece pensa que todo mundo mantém relação com todo mundo, mas costumamos dizer que o clube é muito familiar. Tem gente que se sente mais desrespeitado em boates comuns que aqui. Dentro do clube quem comanda são as mulheres, elas que ditam a intensidade do contato físico”. “Tem gente que dá umas dez voltas no clube e não entra. Quando o cliente se cadastra, mostramos o ambiente e tiramos as dúvidas quando ainda não tem muita gente. E os que preferirem podem freqüentar o clube sem participar de nada. A única exigência que fazemos é que seja um casal verdadeiro”, complementa. |






